segunda-feira, 13 de julho de 2009

Medo




A boca sangrava. Não, ela não era vampira. A boca sangrava, porque minutos atrás a sua mãe lhe batera com veemência no rosto. Sim, um tapa na cara! Além das palavras jogadas ao vento, que pretendiam ser absorvidas por breves milésimos de segundo. Para o azar dela, não conseguiu. As palavras faziam eco em sua mente; assim como, o barulho do tapa zunia em seus ouvidos. Dor? Não do tapa.
Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela se recusava a dar o braço a torcer. A mãe já a chamava de fraca sem que ela precisasse chorar. Tarde demais! As lágrimas rolaram, feito chuva no telhado. ‘Elas secam um dia, não é?’ Era nisso que pensava quando mais um monte de palavras entrava como laminas que perfuravam cada vez mais fundo a pele dela. Perto do coração. Talvez por ser romântica demais, ela tem a tendência de dramatizar muito as suas reações e as alheias também. O choro saia cada vez mais forte, entre soluços, engasgando com sua própria saliva. Foi quando sua mente apresentou a solução... Se não estivesse viva, talvez certas coisas não acontecessem. Sua mente gostava desses assuntos, gostava de incutir-lhe uma idéia que parecia certa em determinados momentos. Mas ela era fraca demais. Não lhe apetecia a idéia de se matar com uma faca de cozinha, ou de se jogar no meio da avenida próxima de casa. Ou se enforcar no quarto, ou tomar remédios tarja preta em excesso pra ver se não acordava mais. Era isso que almejava: não acordar mais. ‘Faz parar o sofrimento’, era assim que ela pedia em seu íntimo, já era quase um mantra.

No outro lado; além, como quiser chamar, um fantasma despertava. Despertava com um sorriso de orelha a orelha. Seu nome? Medo. Era franzino, alto, com cara de poucos amigos. Ele despertou sabendo que tinha mais uma missão a ser cumprida. Mas uma alma a ser levada para as profundezas do nada, sua casa, seu lar.

Esse conto virá em algumas partes, essa é só a primeira.

3 comentários:

Laís Thalles disse...

cuspi aqui..

FORTE.MUITO FORTE.
ADOREI.

espero outra parte!

Ana Paula disse...

O medo é bonito, atrativo. De outra forma, como atrair tanta gente pra si? Por mais que ele se engrandeça, sabemos que ele não passa de um pintinho que AMA piar alto, certo?
Sim, pintinho. Amarelo, como a timidez. Irmãzinha, ele é tímido e só estufa o peito como galo quando vê que já ganhou sua credibilidade.

Acredite: nada como uma agulha pra furar suas expectativas. As dele, não suas ;)

te amo <33
PS: a dor faz grandes escritores. Só não estou certa se isso é bom ou mal.

Lucas Silva Melo disse...

umnnnhhhhh texto bonito e bem escrito, mas eh triste
eu nao quero continuaçao, pq eu quero vc feliz lailosa^^
te amooo viu, pode contar comigo qndo quiser